O magmatismo granítico no Núcleo Serrinha: geologia, petrografia e litogeoquímica do Maciço Pedra Vermelha - Ana Fábia Mattos (2010.1)

Banca: Profª. Drª. Débora Correia Rios - IGEO/UFBA - Orientadora, Profª.Drª. Olga Maria F. Otero - IGEO/UFBA, Dr. Basílio Elesbão da Cruz Filho - CPRM

Resumo: O Maciço Granítico Pedra Vermelha (MGPV) é um corpo intrusivo de formato circular, com aproximadamente 30 Km2 e aflora nas proximidades do município de Monte Santo, Bahia. Geologicamente o MGPV está situado na porção norte no Núcleo Serrinha, um antigo bloco siálico constituído por um embasamento Arqueano Paleoproterozóico sobre o qual se depositaram uma sequência vulcanossedimentar, ambas intrundido por diversos corpos graníticos. Intrudindo rochas metabásicas, o MGPV é o único corpo desta natureza que ocorre na porção norte do NSer. Com base na disposição espacial das rochas, nas relações de campo, e na análise macrotextural, individualizou-se, no MGPV, dois fácies: (i) fácies núcleo e (ii) fácies borda. O Fácies de Núcleo (FN) representa um conjunto de rochas monótonas, sendo poucas às variações texturais e/ou modais observadas. As rochas deste fácies são compostas por biotita monzogranitos isotrópicos, hololecocrático a leucocrático, de coloração cinza clara e/ou avermelhada, com textura fanerítica fina a média. O Fácies de Borda (FB) é mais abundante no maciço, representando cerca de 60% do volume total do corpo. Esta fácies apresenta-se circundando o núcleo isotrópico e suas rochas aparentam estar gnaissificadas. Em campo, essas rochas apresentam feições texturais complexas, que se assemelham às texturas migmatíticas do tipo dobradas e schilieren, e feições sugestivas de mistura de magmas. Adicionalmente, avaliaram-se as rochas metabásicas da encaixante imediata, classificadas com hornblenda-gabro melanocráticos, cuja mineralogia principal é dada por hornblenda e plagioclásio. Os estudos litogeoquímicos no MGPV, contudo, não permitiram individualizar diferenças significantes entre as rochas dos dois fácies. Geoquimicamente, as amostras analisadas posicionam-se no campo dos granitos e granodioritos, sub-alcalinos peraluminosos. Elas apresentam dualidade potássico-sódica, indicativa de sua natureza shoshonítica. O padrão linear de alguns elementos químicos em diagramas discriminantes tipo Harker, tais como feições observadas em campo, sugerem a presença de mistura de magmas, contudo não há dados suficientes para avaliar quem seriam os componentes desta mistura. Quanto às encaixantes, apresentaram um padrão com tendências curvilíneas sugestivas de cristalização fracionada. Os dados apresentados indicam o caráter shoshonítico das rochas do MGPV, o que, aliado à idade de 2.07 Ga apresentada por Rios et al. (2005) para as rochas do centro do MGPV, reforçam uma colocação tardi a pós tectônica deste maciço.

Palavras-chave: Núcleo Serrinha, Granito, Shoshonítico.