Neotectônica do Grupo Barreiras no litoral sul do Estado da Bahia. Anderson Coelho Nascimento (2013.2)

Banca: Prof. Dr. Luiz César Corrêa-Gomes - IGEO/UFBA –Orientador,Prof. Dr. Geraldo Marcelo Pereira Lima - IGEO/UFBA, Dr. Idney Cavalcanti da Silva - UNIJORGE/ÁREA 1.

Resumo: O Grupo Barreiras é uma unidade sedimentar que se depositou entre o Mioceno e o Plioceno (20-04 Ma) e que está presente em grande parte da costa brasileira, desde os estados do Ama-pá até o Rio de Janeiro, em ambiente continental a marino raso. Esta unidade tem sua gênese intimamente relacionada com a evolução da margem continental passiva brasileira e apresenta estruturas deformacionais correlatas ou posteriores à deposição desses sedimentos, fato este que fortemente indica uma origem neotectônica para essa deformação. Na faixa litorânea do sul do estado da Bahia, a área estudada nesse trabalho, o Grupo Barreiras se estende por mais de 600 km de comprimento, desde a cidade de Ilhéus até o município de Mucuri, na fronteira com o estado do Espírito Santo, e afloram em forma de falésias que atingem até 50m de altu-ra. Este trabalho tem como objetivo principal entender a evolução dinâmica do Grupo Barrei-ras na área de estudo, associando-a com as estruturas encontradas. Para isso foi um extenso estudo geométrico, cinemático e dinâmico das estruturas rúpteis dos litotipos do Grupo Bar-reiras e de estruturas rúpteis e dúcteis do embasamento arqueano-proterozoico (Cinturão Ita-buna-Salvador-Curaçá Meridional, Grupo Rio Pardo e Faixa de Dobramentos Araçuaí) para explicar a influência da herança estrutural do embasamento na geração das estruturas do Gru-po Barreiras. Este estudo permite criar um modelo dinâmico evolutivo e entender quais são os motores geradores dos campos de tensão que originaram tais estruturas. No total foram estu-dados 120 afloramentos, nos quais 42 planos de foliações e 31 lineações de estiramento mine-ral foram medidos no embasamento, além de 5171 e 2125 planos de falhas e fraturas medidos, respectivamente, no Grupo Barreiras e no embasamento para comparação entre diferentes conjuntos geológicos. Através do método de inversão dos Diedros Retos, foram obtidas 299 orientações de tensores principai (σ1, σ2 e σ3). A interpretação de dados mostra que as estrutu-ras neoformadas do Grupo Barreiras apresentam uma relação direta com os padrões estrutu-rais do embasamento, marcados pelos trends N010°-020°, N090°-100°, N130°-140° e N040°-050°, todos eles observados em estruturas regionais. O estudo cinemático/dinâmico conduziu às seguintes conclusões. A área de estudo foi marcada por quatro fases deformacionais: (i) uma fase de falhas normais mesozoica (Pré-Barreiras); (ii) outra fase de falhas normais reati-vadas no tempo Grupo Barreiras; e (iii) duas fases associadas a falhas transcorrentes, mais recentes. Nesse último caso dois padrões ortogonais de tensores máximos (σ1) NW-SE/NE-SW e N-S/E-W foram observados. Diante disso, verificou-se que os motores predominantes que gerou os campos de tensão na área estudada estão associados com a migração da placa sul-americana no sentido NW a N e ao empurrão da dorsal oceânica de E para W.

Palavras-chave: Falhas/Fraturas; Neotectônica; Campos de Tensão.