Mapeamento Geológico e análise estrutural do afloramento da Praia do Hospital Espanhol, Salvador, Bahia - Andre Luiz de Souza e Souza (2010.2)

Banca: Profa. Dra. Simone Cerqueira Pereira Cruz - IGEO/UFBA - Orientadora, Dr. Reginaldo Alves dos Santos - CPRM, Profa. Dra. Ângela Beatriz de Menezes Leal - IGEO/UFBA , Geólogo Éder Medeiros - IGEO/UFBA

Resumo: Na orla da cidade de Salvador, Bahia, afloram rochas do Cinturão Metamórfico paleoproterozóico Salvador-Esplanada, com trend preferencial segundo NE-SW. A escassez de estudos de mapeamento de detalhe envolvendo esse cinturão motivou este projeto, que visa levantar dados geológicos sobre a sua evolução tectônica através do mapeamento na escala 1:300. A área de trabalho é um amplo lajedo em frente do Hospital Espanhol, na praia da Barra, entre o Forte de Santa Maria e o Farol da Barra, com uma variedade de rochas e estruturas deformacionais. O mapeamento levado a efeito permitiu identificar rochas granulíticas, como tonalito granulítico, granada monzogranito milonítico e granulito alumino-magnesiano. Além dessas unidades, foram também identificados duas gerações de diques, sendo uma geração de rocha félsica, que corresponde a sienogranito não deformado, e uma outra geração de rocha máfica, representado por diabásio. Sedimentos neogênicos representados por conglomerados com cimento carbonático e areias inconsolidadas completam o cenário litológico. O registro estrutural levantado permitiu identificar um conjunto de estruturas dúcteis associadas com a fase Dn de deformação, que foi subdividida em três estágios evolutivos. O primeiro, Dn’, foi responsável pela geração da foliação Sn’, pela paralelização dessa estrutura com a foliação Sn-1 e pela formação do bandamento gnáissico. Dobras isoclinais, sem raiz e com plano axial paralelizado com a foliação Sn’ foram nucleadas. Além da foliação Sn’, lineação de estiramento (Lxn’), lineação mineral (Lmn’), boudins e duplex foram nucleados nesse estágio de deformação. A vergência geral do movimento é de NE para SW. A progressão da deformação Dn’ levou a nucleação de dobras suaves a abertas com envoltória simétrica durante o estágio Dn”. Em condições tardi Dn’’ houve a instalação dos diques félsicos, intrusivos nos granulitos. Em seguida, zonas de cisalhamento rúptil-dúctil foram nucleadas (estágio Dn’”) (Fase Dn+1?). Diques máficos foram colocados possivelmente relacionado com extensão neoproterozóica. Truncando os diques um conjunto de zonas de cisalhamento rúpteis e fraturas foram desenvolvidas (Dn+2?), com orientação preferencial segundo N120°-N130°. Possivelmente, essa última fase deformacional está associada com a abertura da Bacia do Recôncavo e do Oceano Atlântico Sul.

Palavras-chave: Cinturão metamórfico Paleoproterozóico; registro estrutural; boudin, duplex.