Análise estrutural da Formação Maracangalha em Itamoabo, Ilha de Maré, Bahia - Carlos Eduardo dos Santos Amorim (2008.1)

Banca: Profa. Dra. Simone Cerqueira Pereira Cruz - UFBA - Orientadora, Prof. Cícero da Paixão Pereira - IGEO/UFBA, Prof. Dr. Luiz César Correa-Gomes - CEFET - BA

Resumo: A Formação Maracangalha possui idade Eocretácea e evolução tectônica relacionada com a fase rifte da Bacia do Recôncavo, sendo constituída por arenitos, lamitos e folhelhos. Esta formação apresenta uma série de fácies gravitacionais e deformacionais, definidas como Membro Pitanga e o Membro Caruaçu, e seu ambiente deposicional associado com ambiente turbidítico. O objetivo geral desse trabalho é levantar o arcabouço estrutural relacionado com a Formação Maracangalha na localidade de Itamoabo, na Ilha de Maré. E como objetivo específico, identificar e caracterizar as estruturas deformacionais presentes nesta formação, verificar o significado geológico das estruturas levantadas, juntamente com os campos de tensão associados e analisar a relação das estruturas identificadas com os campos de tensão descritos na literatura para a formação da Bacia do Recôncavo. Através de visitas de campo para detalhamento e análise estrutural clássica, foram identificadas as estruturas deformacionais e obtidos os campos de tensão atuantes na área. O tratamento dos dados estruturais coletados em campo foi feito com os softwares S tereoNet (for Windows, versão 3.03, 1995) e o FaultkinWin? (versão 1.1) para a análise de tensão das estruturas rúpteis. A partir dos levantamentos se constatou a existência de três conjuntos de estruturas, classificados como: (i) estruturas associadas ao estado plástico, (ii) estruturas de injeção e (iii) estruturas associado à deformações no estado sólido. No primeiro caso, verificou-se a existência de zonas de cisalhamento intra-estratais, dobras isoclinais intrafoliais, dobras em bainha, laminações convolutas. Para o grupo de estruturas de injeção foram encontradas estruturas em cone, diques clásticos, estruturas de cargas e domos de argila. O terceiro grupo, estruturas associadas ao estado sólido, observou-se falhas pós-deposicionais, fraturas e bandas de deformação. Localmente o conjunto de estruturas rúpteis levou à rotação das posições originais das estruturas. A análise dos campos de paleotensão levou à identificação de três grupos principais. Do mais antigo para o mais novo, o primeiro, com σ1 subvertical posicionado em 70º para 358º e σ3 subhorizontal em 20º para 260º, que deve refletir tectônica divergente regional próximo a E-W. No segundo, σ1 ocorre em 16º para 254º e σ3 em 45º para 016º, refletindo uma tectônica transtensional associada à falha de Mata-Catu. O transporte de massa de nordeste para sudoeste, assim como a nucleação da Falha de Itamoabo e a geração dos diques clásticos estão associados com esse campo de tensão. Por fim, o terceiro campo encontrado possui com σ1 posicionado em 12º para 068º e σ3 em 49º para 328º de extensão NNW-SSE. Os dois últimos, possivelmente, refletem uma tectônica transtensional. O conjunto de dados levantados permite sugerir que a deposição e a geração das feições de deformação sin e pós-sedimentares do Membro Pitanga da Formação Maracangalha foram tectono-controlados, conferindo a terminologia de sismitos para essas unidades sedimentares.

Palavras-chave: Bacia do Recôncavo, Formação Maracangalha, Turbiditos, Arcabouço estrutural.