Mapeamento Multi-Escalar de Estruturas da Área de Influência da Porção Sul da Falha de Salvador, Bahia - Eduardo Antonio Abrahão Filho (2009.1)

Banca: Prof. Dr. Luiz César Corrêa- Gomes - CEFET- BA- Orientador, Prof. Dr. Johildo Salomão Figueiredo Barbosa - IGEO/UFBA, Profa. Dra. Simone Cerqueira Pereira Cruz - IGEO/UFBA

Resumo: A Falha de Salvador (FS) tem aproximadamente 150 km de extensão, rejeito de 6000 metros e localiza-se na borda Leste da Bacia do Recôncavo. Sua história está inserida na formação do Rifte Recôncavo-Tucano-Jatobá (nordeste do Brasil) durante a abertura do Oceano Atlântico Sul no Eocretáceo (Magnavita et al., 2005). Apesar de sua importância não existem trabalhos que a tenham como objeto principal de estudo. Visando entender a geometria 3-D da FS, foram mapeadas estruturas na porção Sul do Orógeno Salvador-Esplanada (OSE), de orientação regional N30o, e nos conglomerados da Formação Salvador, com objetivos de: (i) verificar como e quais estruturas do OSE influenciaram a nucleação e evolução da FS, (ii) definir como estão dispostas espacialmente as estruturas rúpteis derivadas dos esforços geradores da FS, (iii) entender a cinemática das estruturas relacionadas à FS e (iv) analisar se a FS é formada por um plano simples de falha ou se por um sistema complexo de falhas. A FS é representada em Salvador por uma escarpa de linha de falha onde inúmeras famílias montaram suas moradias e, nas quais, sofrem constantes riscos de deslizamentos de terra, realçando o caráter social desse estudo. No campo foram coletadas estruturas em dezesseis afloramentos ao longo da escarpa da FS em Salvador, perfazendo um total de mais de 2000 estruturas planares (falhas, fraturas e foliações) e lineares (estrias, degraus e lineações de estiramento/crescimento mineral). Posteriormente foram gerados mapas com interpretações de campo contendo diagramas de rosetas e de isodensidade polar e mapa de lineamentos estruturais a partir de imagens de satélite. Como principias resultados obtidos tem-se que: (i) quatro foliações foram definidas (Sn-1, Sn, Sn+1, Sn+2), (ii) a estruturação geotectônica do OSE, as Sn+2 e as Lx foram as principais estruturas do embasamento responsáveis pela orientação da FS. Quanto às estruturas rúpteis conclui-se que: (i) a cinemática da FS não foi apenas normal, mas apresentou também componente importante dextral, marcado por estrias e degraus diagonais aos planos de falhas estudados e (ii) as principais famílias de fraturas e falhas foram N030º-N040º, N090o-N100o, N120o-N130o e N150o-N160o. Os dados coletados em campo foram corroborados pelas informações das imagens de satélite.