Geologia da porção sul do Complexo Lagoa Real, Caetité, Bahia - Gilcimar dos Santos Machado (2008.2)

Banca: Profa. Dra. Simone Cerqueira Pereira Cruz - UFBA - Orientadora, Profa. Dra. Ângela Beatriz de Menezes Leal - IGEO/UFBA, MSc. Violeta Martins - CBPM

Resumo: A área de estudo está localizada geograficamente na região sudoeste do Estado da Bahia. Do ponto de vista tectônico, está posicionada na porção centro-sul do Bloco Gavião e no domínio meridional do Corredor do Paramirim, na zona de inversão do Aulacógeno homônimo. O Contexto geológico regional é dominado por unidades do embasamento arqueano-paleoproterozóico, por intrusivas ácidas e básicas e por um conjunto de rochas metassedimentares de idades meso e neoproterozóica. O objetivo deste trabalho foi realizar o mapeamento, a caracterização petrológica, estrutural multiescalar e litogeoquímica de uma área selecionada na porção sul da área de ocorrência do Complexo Lagoa Real. Este complexo, de idade 1,7 Ga, hospeda a Suíte Intrusiva Lagoa Real e um conjunto de ortognaisses, anfibolitos, albititos, oligoclasitos, microclinitos e enclaves de rochas charnoquíticas. Como metodologia adotou-se a pesquisa bibliográfica, os trabalhos de campo, os estudos petrográficos e os litogeoquímicos. Durante os trabalhos de campo foram descritos trinta afloramentos, cujas características estruturais, especialmente às relacionadas com a intensidade de deformação, permitiram identificar cinco tectonofácies, estas divididas em três grupos de acordo com classificação de (Sibson, 1977): protomilonitos (granitóide com pouca deformação e granitóide foliado), milonitos (augen-gnaisse e ortognaisses com foliação descontínua) e ultramilonitos (ortognaisses com foliação contínua). Em termos modais, essas tectonofácies são rochas de composição essencialmente sienítica. Os dados de campo e petrográficos mostram que as rochas da Suíte Intrusiva Lagoa Real passaram por processos deformacionais no estado sólido transformando-se em gnaisses. Tal processo ocorreu em função da nucleação de um conjunto de zonas de cisalhamento compressionais, de idade brasiliana. Associadas a essas zonas desenvolve-se uma foliação milonítica (S'1) que está paralelizada ao bandamento composicional dos gnaisses e posicionada, em geral, segundo N180/04 W. A lineação de estiramento mineral é marcada pela biotita, anfibólio e aglomerados de quartzo e feldspatos recristalizados e posiciona-se com máximo em 21p/225. Os indicadores de movimento recuperados ma macro-escala revelam um contexto compressional para a deformação F'1. Os estudos microestuturais sugerem a atuação de processos plásticos de deformação associados esse estágio, com a recristalização sintectônica de feldspatos e quartzo, levando à destruição da trama primária das rochas em condições de temperatura supeiores aos 550º C. Truncando a trama gnáissica, um conjunto de fraturas de cisalhamento ocorre e levaram à fragmentação dos feldspatos e a recristalização do quartzo. Tais fraturas hospedam clorita e epidoto. A partir da análise microestrutural, sugere-se temperaturas de deformação variando entre 300 e 500º C. Os dados geoquímicos mostram que as rochas estudadas são alcalinas, metaluminosas, de alto a muito alto potássio, com características de granitóides anorogênico, derivação crustal e formadas ambientes intra-placa continental.