Geologia do Distrito Manganesífero de Urandi - Licínio de Almeida: resultados preliminares - Jofre de Oliveira Borges (2009.2)

Banca: Profa. Dra. Simone Cerqueira Pereira Cruz - UFBA - Orientadora, Profa. Dra. Ângela Beatriz de Menezes Leal - IGEO/UFBA, MSc. Violeta Martins - CBPM

Resumo: O distrito ferro-manganesífero de Urandi-Licínio de Almeida hospeda as maiores ocorrência de manganês do Estado da Bahia. O objetivo geral deste trabalho é contribuir com o entendimento dos aspectos geológicos e metalogenéticos do Distrito em questão. Desse modo, foram selecionadas três minas do sub-distrito Caetité-Licínio de Almeida, quais sejam, Lagoa D'anta, Colônia e Riacho Comprido e Passagem, e uma mina do sub-distrito de Urandi, denominada de Barreiro dos Campos. A mina de Lagoa D'anta compreende a uma formação ferro-manganesífera com altos teores de Fe2O3? . O proto-minério é do tipo óxido. As encaixantes imediatas são classificadas itabiritos e xistos, sendo comum a paragênese grunerita-cummingtonita e quartzo. Na ocorrência de Colônia e Riacho Comprido o minério manganesífero é da fácies silicato (Gondito), marcado pela presença da espessartita. Na mina da Passagem o proto-minério também é da fácieis silicato, estando encaixado em granada-cianita-anfibolito-biotita Xisto. No sub-distrito de Urandi, o depósito de Barreiro dos Campos é da fácies carbonato, marcado pela rodocrosita. Os estudos petrológicos permitiram a identificação das paragêneses quartzo+grunerita-cummingtonita+granada, sugerindo condições metamórficas de fácies anfibolito. A análise estrutural permitiu a identificação de duas fases deformacionais. Na primeira, F1, foi subdivida em três estágios distintos. No primeiro foi nucleada uma foliação milonítica S0 //S1', em contexto tectônico incerto. No segundo rampas de empurrão e zonas de cisalhamento intraestratais levaram à formação da foliação milonítica S0 //S1' // S1", cujos indicadores de movimento sugerem transporte tectônico para NW. No terceiro estágio um conjunto de sinformes e antiformes foram gerados, com vergência para NW. A segunda fase deformacional levou à formação de um conjunto de fraturas de cisalhamento compressional. Segundo consideração deste trabalho, os depósitos em questão depositaram-se numa bacia marinha, em condições plataformais, com fonte primária destes metais de origem hidrotermal. Entretanto, tais deduções são alvo de controvérsias, pois os eventos tectono-metamorficos, ocorridos no Neoproterozóico, e ação da supergênese, no Fanerozóico, podem ter remobilizado e reconcentrado os elementos, mascarando as sua assinaturas originais.