Geologia e gemologia das ametistas de Brejinho das Ametistas, Bahia - Mônica Correa (2007)

Banca: Prof. Dr. Vilton Fernandes de Jesus - IGEO/UFBA - Orientador, Profª. Drª. Simone Cerqueira Pereira Cruz IGEO/UFBA - Co-Orientadora, Profª. Drª. Gracia Baião - Co-Orientadora

Resumo: A Bahia tem sido juntamente com Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, destaque na produção de pedras preciosas naturais do Brasil, pais que detém grande parte das reservas mundiais desses bens minerais, com produção de gemas de qualidade reconhecidas internacionalmente. Os controles estatísticos registram a presença de mais de trinta variedades gemológicas em território baiano, com destaque para esmeralda, água-marinha, citrino, crisoberilo, cristal de rocha e ametista (Tavares ET AL, 1998). Com relação a essa ultima, o distrito de Brejinho das Ametistas vem se consolidando como um importante produtor no cenário estadual. Apesar da importância da mineralização, existe uma carência de estudos científicos que abordem questões relacionadas com a evolução dos depósitos, com o controle geológico da mineralização em Brejinho das Ametistas, e com os tratamentos que são realizados para melhorar a qualidade das ametistas de potencial gemológico, da região estudada. A realização desse estudo representa um passo significativo no entendimento da evolução metalogenética, desse que é o principal distrito de ametistas do estado da Bahia. O distrito em questão situa-se na porção sul da Província Metalogenética do Paramirim (Misi ET AL. 2006), na feição tectônica denominada de Cinturão de Dobramentos e Cavalgamentos da Serra do Espinhaço Setentrional. Este cinturão corresponde ao limite ocidental do corredor do Paramirim. O objetivo geral desse trabalho foi contribuir com o estudo geológico e gemológico do Distrito de Brejinho das Ametistas, Bahia, alem de enriquecer o conhecimento desse potencial geológico do território baiano, bem como dos critérios de classificação e avaliação técnica das gemas e tratamento e beneficiamento das mesmas. Como métodos de trabalho, foram realizadas pesquisa bibliográfica, trabalhos de campo, análises químicas de amostras, caracterização gemológicas e tratamento de dados estruturais. A partir dos dados levantados, pôde-se verificar que a mineralização de ametista esta posicionada sobre fraturas de tração de baixo ângulo, estando estas encaixadas nos metarenitos da formação Salto (Supergrupo Espinhaço. Tais fraturas estão associadas com rampas de empurrão que se desenvolveram durante as deformações que culminaram com a estruturação do cinturão de dobramentos e cavalgamentos em questão. Desta forma, conclui-se que a mineralização possui um controle estrutural. Quimicamente as amostras coletadas demonstraram altos teores de sódio e ferro. Os resultados obtidos, aliados a presença de crostas ferruginosas associadas com as fraturas sugerem que a causa da coloração da ametista é devido a impurezas derivadas da família do ferro (FeO4? )-4. Tal fato pode ser corroborado pela associação espacial entre os depósitos de ferro e ametistas. Uma interação complexa entre ferro e alumínio pode também ser responsável pela coloração, desde que notado um elevado percentual de Al, presente na carapaça ferruginosa estudada. As características gamológicas encontradas demonstram que as ametistas apresentam um elevado potencial comercial, baseado nos Quatro C's (critério de avaliação). Para o futuro sugere-se trabalhos de levantamentos Geológicos e Pesquisa Mineral, desde que a exploração das ametistas vem apresentando significativas reduções e limitações nas suas atividades minero-industriais, seja pela parcial exaustão das reservas conhecidas, ou pela necessidade de ampliá-las e , assim, incentivar novos investimento.