Estudo hidrogeoquímico nos estuários dos rios Jaguaribe e Passa- Vaca, Salvador, Bahia. - Narayana Flora Costa Escobar (2011.1)

Banca: Profa. Dra. Olga Maria Fragueiro Otero - IGEO/UFBA - Orientador, Profa. Karina dos Santos Garcia - Co-Orientadora - IGEO/UFBA, Prof. Dr. Manoel Jerônimo Moreira Cruz - IGEO/UFBA, Dr. Eduardo Luiz Vianna Dória

Resumo: Os rios Jaguaribe e Passa-Vaca deságua em um mesmo estuário na Orla Atlântica de Salvador. Este ecossistema tem sido fortemente afetado pelo lançamento de esgotos domésticos e lixo, e pela expansão urbana, principalmente na região em que se encontram, no bairro de Patamares. O objetivo deste trabalho foi investigar a variação espacial e sazonal dos parâmetros hidrogeoquímicos (salinidade (S), temperatura (T), pH, oxigênio dissolvido (OD), condutividade, carbono orgânico (CO) e fósforo) e dos elementos metálicos (Cu, Zn, Fe, Ni, Cr e Mn) no Material Particulado em Suspensão, avaliando o nível de contaminação segundo os limites de referência do ponto de vista ambiental (CONAMA e CETESB) e toxicológico (NOOA). As coletas de água foram feitas durante todos os meses do ano de 2010, nos ciclos de Maré Alta (MA) e de Maré Baixa (MB), em 3 pontos no rio Passa-Vaca, 2 pontos no rio Jaguaribe e um na região de confluência dos dois rios. Os parâmetros S, T, pH, OD e condutividade foram medidos in situ com multisonda portátil. A determinação do carbono orgânico no MPS seguiu o método descrito por STRICKLAND E PARSON, 1972. Os teores de fósforo na água foi determinado por espectrometria na região do visível, segundo GRASSHOFF et al. (1999) e os metais Cu, Zn, Ni, Cr e Mn foram determinados através de Espectrofotometria de Absorção Atômica com Chama (FAAS). A temperatura da água variou entre 24° a 30°C, exibindo temperaturas menores durante o período chuvoso, contudo não apresentaram diferenças entre os momentos da maré. A salinidade apresentou alta variabilidade entre os valores na MA e na MB durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril, porém, nos meses seguintes, a variação da salinidade foi pouco expressiva devido à baixa força das marés nos dias das coletas. A partir dos valores médios (7,8 na MA e 0,5 na MB) as águas destes rios foram enquadradas como salobras, conforme a definição estabelecida pelo CONAMA (357/05). Os valores de condutividade variou pouco entre as campanhas, alcançado valor máximo de 6,2 mS/cm no ciclo de MA, apresentando uma tendência de queda dos valores dos pontos com maior influência marinha para os pontos mais internos do estuário.O oxigênio dissolvido obteve resultados abaixo do limite de referência (4 mg/L), principalmente durante as coletas na MB do rio Jaguaribe, contudo esses valores se atenuavam na MA, revelando o poder de autodepuração das bacias em questão. O pH foi levemente ácido, com média de 6,5 para o rio Passa-Vaca e de 6,7 para o rio Jaguaribe, refletindo a influência do manguezal e da presença de esgotos e matéria orgânica na água. A concentração de MPS foi mais elevado durante as marés alta e no período chuvoso, variando entre 0,2 e 72,2, mg/L. Os teores de CO seguiu o mesmo comportamento do MPS, com valor máximo de 3,9 mg/L durante a MB, no rio Jaguaribe, abaixo do valor de referência do CONAMA (5 mg/L). O fósforo apresentou concentrações elevadas nos dois rios, vinculados ao lançamento excessivo de esgotos. os valores do metais variaram no rio Jaguaribe entre: Cu(0,35-20,12), Mn (0,13-2364), Ni (0,35), Zn (0,47-173), Fe (874-60094) e Cr (0,5-297); no rio Passa-Vaca: Cu(0,35- 20,43),Mn (0,13-2004), Ni (0,35), Zn (0,47-357), Fe (874-75817) e Cr (0,5-518). Os metais Cr e Zn exibiram níveis de contaminação nos dois rios.

Palavras chave: Estuários, maré, contaminação.

-- IsabelBarros - 17 Jun 2013