Termômetros geológicos em corais: o comportamento da razão Sr/Ca no esqueleto de mussismilia braziliensis - Priscila Martins Gonçalves (2007)

Banca: Prof. Dr. Ruy Kenji Papa de KIkuchi - IGEO/UFBA - Orientador, Profa. Dra. Tânia Maria Fonseca Araújo - IGEO/UFBA - Orientador, Geólogo Cícero Paixão Pereira - IGEO/UFBA

Resumo: A aplicação dos princípios estratigráficos permite o estudo dos esqueletos coralinos como termômetros geológicos. Tais esqueletos são construicos por acresção de aragonita em camadas subseqüentes controladas pela densidade, as quais registram o crescimento do organismo. Esta superposição cronológica de camadas de aragonita - um principio essencial da estratigrafia - aliada ao conhecimento da taxa de crescimento oferece a base para o desenvolvimento dos estudos dos corais como geotérmicos, incluindo-se o presente estudado. Os esqueletos dos corais oferecem um rico arquivo da variabilidade climática pretérita nos oceanos tropicais, onde as informações são limitadas e onde nosso conhecimento da sensibilidade climatológica é incompleta. O debate mundial sobre as mudanças climáticas renovou o interesse nos corais, já que os seus esqueletos são arquivos naturais que registram informações sobre as condições ambientais ao longo da sua construção. Estudos anteriormente conduzidos propõem que a temperatura da superfície do mar (TSM) desempenhe um papel de controle na incorporação, pelo esqueleto coralino, de elementos químicos como o Estrôncio (Sr) - os quais substituem uma pequena proporção de cálcio(Ca) na estrutura da aragonita. O objetivo desse estudo foi calibrar a razão Sr/Ca no coral Mussismilia braziliensis (Verril 1868), espécie que apresentou grande potencial como geotermômetro. As oitentas e seis amostras do estudo foram retiradas de um testemunho de uma bioconstrução de corais coletado na região de Abrolhos, Brasil, em novembro de 2003.