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Caderno Cultural

Geração Alt + Tab constitui um desafio para a universidade

DAMIÃO ROCHA e NELSON PRETTO - damiao@uft.edu.br e www.pretto.info

Estamos vivendo momentos de crises profundas, com os principais conceitos e valores sendo repensados, em muito ajudado pela (oni)presença das tecnologias da informação e comunicação. Dizem que vivemos a chamada sociedade em rede, estejamos ou não conectados a computadores e à internet. Nessa condição, longe e tarde, assim como perto e cedo, significam quase a mesma coisa. Modificamse as relações tempo e espaço e, com isso, melhor trafegamos da modernidade pesada à modernidade leve, como diz o sociólogo Zygmunt Baumann.

A narrativa desta sociedade em transformação perpassa uma rede semântica em que se reconhecem dois fatores imprescindíveis. O primeiro fator é reconhecer o crescimento do ciberespaço e a influência da cultura do computador na vida familiar, social, econômica, política e educacional. É estar atento para as (in)conseqüências que a cultura digital tem provocado na nova geração de crianças, adolescentes e jovens que se (in)formam excitados para interagirem colaborativamente com ambientes e formatos novos de tecnologias inteligentes, como denomina Pierre Lévy, com diferenças e divergências consideráveis dos meios de comunicação convencionais.

Jovens que pertencem ao que chamamos de "geração Alt+Tab", numa alusão às duas teclinhas do computador que permitem que, tendo várias janelas abertas, o navegante possa pular de uma para outra num simples clique, coisa que esta meninada faz sem um piscar de olhos. O outro fator que nos ajuda a entender a situação da sociedade atual é perceber que a nossa relação com os objetos maquínicos digitais forjam novos canais de sociabilidades e inteligibilidades, desafiando-nos a pensar intensamente a vida cotidiana e, o que mais importante, não nos contentando com as soluções lineares muito menos simples. Vivemos complexidade cotidianamente! A universidade é o local por excelência onde essas questões polêmicas devem (ou, quem sabe, deveriam?!) ser estudadas e pesquisadas, mas, muitas vezes, isso não ocorre por conta de um estranho alinhamento desta secular instituição com o tal mercado que se configura como o novo "mecenas" que viabilizaria sua sustentação.

Cibercultura tratada em publicação

O livro Tecnologia e novas Educações é o primeiro de uma série que a Faculdade de Educação da Ufba está produzindo com o intuito de resgatar parte do que se investiga nessa área, retratando as questões relacionadas com a educação e a cibercultura, com o objetivo de que o leitor compreenda melhor a chamada sociedade do conhecimento. A publicação é fruto de pesquisas realizadas na Bahia, com apoio do CNPq e Fapesb, articulando outras redes internacionais, em especial aquelas que discutem a sociedade atual sobre vários signos.

Nesse universo de interpretações, estão os franceses, que falam de precariedade; os alemães, de instabilidade; os italianos, de incertezas; e os ingleses, de insegurança. Como nos adverte mais uma vez Bauman, o fenômeno que todos esses conceitos tentam captar e articular é a experiência combinada da falta de garantias (de posição, títulos e sobrevivência), da incerteza (em relação à sua continuidade e estabilidade futura) e de inseguranças (do corpo, do eu e de suas extensões: posses, vizinhanças, comunidade).

Tecnologias e novas Educações procura resgatar em seus 17 capítulos a idéia de uma universidade pública que contribua para uma reconfiguração do papel social da educação, reafirmando que "a educação não é mercadoria " .


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